Instalações da Rio-2016 sem manutenção, o triste legado olímpico

“O legado das olimpíadas”, o brasileiro ouviu essa expressão diversas vezes desde que foi decidido que o evento de 2016 seria sediado no país. Foi o argumento para justificar todo o investimento e transtorno gerado a população. A possibilidade de o público ter acesso a um local de lazer e socialização. A ideia de uma estrutura que seria empregada no esporte, e geraria oportunidades para o desenvolvimento novos atletas. A construção de escolas com o reaproveitamento de materiais. O que é noticiado agora na imprensa brasileira é o descaso com o investimento público que superou 2 bilhões de reais.

O ministro do tribunal de contas da União, Augusto Nardes, visitou recentemente as instalações que foram usadas na Rio-2016 e ficou assustado: “O parque está com problemas de manutenção, um problema sério de limpeza, que está deixando o local com aspecto de abandono”, comentou o ministro, em entrevista ao Estado.

Existiam planos e promessas para as arenas, que agora se encontram largadas em processo de deterioração. A única ainda montada é a Arena carioca 1, onde ocorreram os jogos de basquete nas olimpíadas, agora ela fará parte do centro de treinamento olímpico.

Já a Arena 2, onde a judoca Rafaela Silva conquistou o ouro para o Brasil, não tem mais arquibancadas, está parcialmente desmontada. Os assentos estão armazenados ao relento, embaixo de chuva e sol. A arena 3 tem a programação de ser transformada numa escola voltada ao esporte, o ginásio experimental olímpico. Mas não existem vestígios de alguma movimentação com essa intenção.

A prefeitura transferiu a gestão da Arena 1 e 2 para o governo federal, alegando que não houve empresas interessadas que atendessem aos requisitos da licitação. Existia um plano para a Arena 1 ser usada como uma casa de shows, e a Arena 2 um centro de treinamento de atletas.

O Parque Aquático será desmontado e transferido para outros lugares do Rio de janeiro. Essa remoção está prevista para março desse ano, esse objetivo já está sendo noticiado desde o fim de agosto de 2016 e no mês de véspera tudo indica que não será cumprido.

A Arena do futuro foi construída com o plano de funcionar apenas durante as olimpíadas e ter seu material reaproveitado para a construção de 4 escolas. Ainda não foi desmontada.

Existe um prazo para isso ocorrer até o terceiro trimestre de 2017.

Leonardo Piciane, ministro dos esportes, afirmou que o parque olímpico continuará ativo por causa de eventos que serão marcados nele: “Nós acreditamos que a única forma de preservar o legado olímpico é criar um calendário consistente de treinamento, de competições e de iniciação ao esporte, de inclusão social. Até o final de fevereiro, o

Ministério dos Esportes inicia programas sociais aqui no Parque Olímpico com crianças e com jovens, buscando a formação de novos atletas”, explicou Piciani.