Jorge Moll desenvolve estudos e pesquisas sobre o altruísmo e os valores humanos

Ao longo dos anos, a psicologia social já conseguiu constatar que alguns valores do ser humano são universais, como por exemplo, a generosidade, a honra, a honestidade e a percepção de justiça. Isso significa que esses valores são compartilhados por todas as culturas, não sendo apenas construções sociais.

De acordo com o neurologista Jorge Moll, um dos responsáveis por uma pesquisa sobre esse tema, a moral possui uma forte base neurobiológica. Desse modo, é possível dizer que o que realmente muda entre os indivíduos não são os valores em si, e sim a importância que cada pessoa confere a eles. Fatores como a criação, a cultura, e inclusive a genética, contribuem nesse aspecto.

Em sua pesquisa, Jorge Moll realiza estudos acerca das bases do altruísmo e das emoções afiliativas, que são as afinidades que levam os indivíduos a se agruparem entre amigos, em uma religião ou para torcer para um time de futebol, por exemplo. As emoções afiliativas consistem em um sistema que é distribuído pelo cérebro e envolve áreas relacionadas as emoções e também ao raciocínio.

Segundo ele, no caso da moral, esta é considerada como uma adaptação evolutiva bastante complexa. Isso acontece pois, a moral consiste na combinação de emoções de conceitos sociais muito abstratos. Tais conceitos são processados por uma região chamada córtex temporal anterior, interagindo em seguida com áreas cerebrais profundas, nas quais adquire a devida relevância emocional.

Para compreender mais a fundo sobre como essa área do cérebro funciona, a neurociência utiliza diversos instrumentos. O mais importante deles é a ressonância magnética, a qual consegue medir os níveis da atividade cerebral. Nesse caso, grupos de voluntários passam por várias modalidades de testes ao tempo em que suas atividades cerebrais são monitoradas pelos pesquisadores através da ressonância.

Foi dessa forma que o neurologista Jorge Moll e um de seus principais colaboradores, o médico Ricardo de Oliveira-Souza, formaram uma parceria com neurologistas estrangeiros para a elaboração de um importante estudo acerca do altruísmo. Realizado em 2006, esse estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” comprovou que fazer uma doação ativa a mesma região do cérebro de quando se ganha dinheiro.

Sendo assim, Jorge Moll acredita que os valores humanos são um resultado da interação entre criação, cultura e genética, estando apenas em partes relacionados à personalidade de um indivíduo. Segundo ele, os seres humanos possuem uma imensa capacidade de apego, em relação as pessoas, aos valores que compartilham, e as afinidades que direcionam sua vida, por exemplo. Mas apesar do apego ser essencial para moldar a moral humana, em excesso este pode levar a um comportamento irracional.

Considerada como uma propriedade emergente, a moral tem evoluído junto com o ser humano através de comportamentos que sejam capazes de resultar na sobrevivência de um indivíduo e do seu grupo. Para o neurologista Jorge Moll, uma sociedade cujos valores são ameaçados, como acontece em países com grandes escândalos de corrupção, por exemplo, acaba se tornando mais facilmente manipulável por figuras que supostamente representam esse valor.