Telefone do Vento: Artista Japonês cria telefone imaginário para consolar parentes de vítimas de terremoto

Itaru Sasaki de 71 anos, desenhista de jardins, teve uma ideia um tanto inusitada: Uma cabine telefônica onde os visitantes podem entrar e “conversar” com os que se foram.

 

No ano de 2011, um terremoto atingiu parte da costa noroeste do Japão, seguido por um violento tsunami. No total, cerca de 16 mil pessoas morreram e 2,5 mil pessoas desapareceram.

 

A casa de Sasaki fica a 55 metros do nível do mar. Ele e a família não foram afetados pelo tsunami.

 

“Minha família estava dentro da casa. O terremoto foi tão forte que tive medo que o prédio caísse. Ia chamá-los, mas eles próprios saíram. Ficamos em frente à casa, receosos.”

 

Mas o fato de o terremoto não ter atingido a casa de Sasaki, não contribuiu para amenizar a dor de ver a perda de tantas outras famílias de sua região.

 

“Mais de 18 mil pessoas morreram. Todas essas pessoas – o pai que foi trabalhar, as crianças que foram para a escola, as mães que terminaram seus afazeres domésticos e saíram para as compras – todas elas estavam cumprindo seus deveres. Mas quando veio a noite, não puderam encontrar suas famílias novamente. E as famílias em luto talvez tivessem uma última coisa a dizer aos seus entes queridos”, diz Sasaki.

 

Foi aí que surgiu a ideia da cabine telefônica ficar exposta no jardim em homenagem às vítimas do terremoto.

 

“Achei que era necessário conectar os sentimentos dos que partiram aos dos sobreviventes.”

 

Originalmente, Sasaki havia planejado a cabine telefônica em 2009 apenas como um item de decoração, um objeto de arte. No entanto, nessa mesma época seu primo havia sido diagnosticado com câncer em fase terminal. Ele conta:

 

“Comecei a planejar a cabine telefônica em 2009. Naquela época, meu primo tinha sido diagnosticado com câncer e os médicos tinham dado a ele três meses de vida. Eu trouxe a cabine telefônica para o jardim como um objeto de arte. Mas depois, vieram a doença do meu primo e o desastre de 2011.”

 

O Jardim que Sasaki instalou a cabine telefônica, é um bálsamo para os corações enlutados dos moradores da pequena cidade de Otsuchi. Dentro da cabine, um telefone desconectado é um convite para parentes em luto se conectarem aos seus familiares mortos na tragédia.

 

O Jardim está localizado no topo do monte Kujira, com vista para o Oceano Pacífico. Todos os dias, pessoas entram na cabine para aliviar sua tristeza, e de alguma forma tentar entender o que aconteceu. Em meio a flores, uma vista magnífica e um telefone para dar um “último adeus”, pessoas enlutadas sentem paz em seus corações partidos.

 

Um visitante chamado Yoshihisa Masuko entra na cabine do “Telefone do Vento”:

 

“Oi pai, aqui é o seu filho. Deve ter sido muito duro para você ficar preso em um campo de concentração na Sibéria. Recentemente, recebi informações do governo japonês sobre a sua morte. Faz 70 anos que sofro com isso. Minha mãe também morreu. Mas desde então, vivemos bem, eu e meus irmãos. Vou visitar o túmulo de minha mãe e darei suas notícias a ela”, continua.

 

O Jardim se torna um curativo para alma em um ambiente tranquilo para as pessoas expressarem suas emoções em meio ao caos e a dor da perda.

 

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