Felipe Miranda da Empiricus reporta sobre a influência das empresas de tecnologia

Na segunda semana de setembro, o comportamento dos mercados resultou na rotação das ações do tipo “growth” para “value”, e na queda dos yields abrindo caminho para uma possível abertura na atual curva de juros. Segundo Felipe Miranda, da Empiricus, só o tempo é capaz de dizer se essa movimentação irá durar, pois as análises atuais utilizam como base somente as informações disponíveis até o momento.

Mas depois de haver essa pequena trégua no movimento de valorização dos yields no exterior, é necessário ampliar as perspectivas atuais para conseguir analisar a situação do mercado como um todo, incluindo os cenários e as possibilidades menos óbvias, destaca o CEO da Empiricus, Felipe Miranda.

Com isso, no início do mês de setembro, o foco se voltou para as reuniões sobre as políticas monetárias que estavam para acontecer no exterior. Em primeiro lugar, destaque para o BCE, onde uma queda de juros não estava descartada mas também permanecia como algo incerto. Somavam-se ao BCE as futuras reuniões do Fed (Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos), do Bank of England, e do Bank of Japan, por exemplo.

Assim, cresceram os questionamentos sobre o que acontecerá com as taxas de juro ao redor do globo. Muitos analistas apostam que uma nova flexibilização monetária seria capaz de impedir o início de uma recessão mundial no próximo ano, ou até mesmo contribuir para a retomada do crescimento global, reporta o CEO da Empiricus.

De acordo com o pensador Nassim Taleb, contudo, a capacidade de influência que a política monetária tem para afetar o crescimento econômico global é praticamente nula. Para Taleb, o que realmente reflete no crescimento mundial é o avanço das empresas da área de tecnologia e os resultados obtidos pela China.

Os dois fatores possuem inclusive um ponto de ligação, noticia Felipe Miranda, da Empiricus, pois há muito tempo a China deixou de ser um país cuja indústria é especializada somente em maquinário pesado, e se transformou em um importante polo tecnológico, possibilitando o surgimento de grandes empresas do segmento como a Tencent, o WeChat e o Alibaba.

Mesmo que os juros estejam cada vez mais baixos, esse grupo de empresas da área tech não vai acumular dívidas, pois isso não faz parte da natureza desse tipo de negócio. Quando o assunto é tecnologia, o mercado simplesmente deixa de seguir uma lógica linear, pautada no modelo de distribuição gaussiana e no compartilhamento equilibrado de market share. Em contrapartida, o que é observado é uma distribuições do estilo Pareto, em que “o vencedor fica com tudo”, com movimentos súbitos, que levam a trajetórias colossais. Cientes desse modelo de retorno diferenciado, os stakeholders não vão se interessar por dívidas, eles vão querer o equity, pois só isso justificaria sua matriz de payoff, informa o CEO da Empiricus. Ao mesmo tempo em que estão dispostos a correr os altos riscos dessas companhias, isso só acontece devido as chances consideráveis de haver uma multiplicação do capital inicialmente investido, o que só acontece caso se esteja no equity.

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