Pesquisas apontam as dificuldades no ensino em comunidades carentes

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Uma pesquisa comprovou um dado preocupante, as comunidade mais pobres tem os profissionais de educação com maior despreparo e isso agrava o ciclo. Com isso surgem novos problemas. Uma piora na desigualdade social e de todos os seus problemas incluindo o trabalho infantil.

Alta rotatividade de professores somado a salários baixos e diretores despreparados, demonstram um resultado diretamente ligado a um baixo rendimento dos alunos. Quanto menor a renda da família, pior o cenário. Uma equação perversa comprovada por um estudo inédito da Fundação Lemann, revela dados alarmantes:

Oito em cada dez escolas que atendem comunidades carentes têm 80% de vagas sobrando. Nas escolas onde o poder aquisitivo da comunidade é mais alto, o número de vagas sobrando chega a 13%. Mais da metade dos diretores que trabalham em escolas mais pobres recebem salários menores em torno de R$ 2.364.00 e geralmente tem menos de 7 anos de experiência.

A pesquisa utiliza dados da Prova Brasil 2015. Mais de 52.241 diretores responderam a um questionário. Entre as reclamações mais comuns eles disseram:

 

A falta de apoio pedagógico.

Um terço das escolas em comunidades carentes, não tem conselho de classe.

 

Os números ganham vida na periferia das grandes cidades onde falta até livro didático. A professora Maria Gisele da Silva, tem um filho de 8 anos na rede pública, ela conta que os livros são reutilizados: “Os livros já vem com as respostas e isso atrapalha muito o aprendizado deles. O estudante que tem interesse em aprender não vai olhar as respostas no livro, mas aquele aluno que tem dificuldade vai pegar aquela resposta que está ali pronta”.

A dona de casa Ivanice Araujo, tem uma filha na escola e a outra já chegou a faculdade, mas o esforço para conseguir isso foi conjunto para lidar com a falta de professores e com as salas superlotadas.

“O professor não tem suporte dos órgãos municipais, estaduais e federais para poderem dar aulas. Um exemplo, são as xérox: Ele tem uma quantidade exata para poder tirar por mês, caso passe aquela quantidade determinada ele tem que tirar do bolso dele. Falta muitos incentivos na sala de aula”, diz Ivanice.

A precariedade acaba com um poder da educação, o da transformação. Pior do que isso leva a um outro problema, o trabalho infantil.

Uma pesquisa feita pelo IBGE, mostra que em 2015, 80 mil crianças entre 5 e 9 anos estavam trabalhando em todo o país. O direito a infância e educação é negado a 3 milhões de crianças em todo o Brasil.

Dados da pesquisa PNAD mostram que os alunos de baixa renda entram mais tarde na escola e saem muito mais cedo. Entre as famílias com renda superior a dois salários mínimo, 70% dos filhos chegam a escola com 2 anos. Entre os alunos de famílias com rendas inferiores chegando a um salário mínimo, 50% vão à escola com 3 anos. Jovens de alta renda em sua maioria estudam até os 21 anos, enquanto os jovens de baixa renda permanecem na escola até os 17 anos.

“Precisamos atrair os melhores professores para as escolas mais desfavoráveis. Isso passa sem dúvidas por um planejamento de carreira, sendo que plano de carreira envolve questões salariais. Planos de carreiras que sejam suficientes para atrair os melhores professores para as escolas onde estão os alunos com os piores resultados educacionais”, diz o coord. mov. Todos Pela Educação, Caio Callegari.